Central Anitta » Anitta: “Eu não preciso que todos concordem comigo”
22
jun
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Comecei no Brasil cantando funk, que no meu país é o mesmo que o reggaetón é para o resto dos países da América Latina“, diz Larissa de Macedo Machado, mais conhecida como Anitta (25). A nova sensação do pop brasileiro passou brevemente pela Argentina para cantar no Teatro Vorterix, que parecia lotado como parte de uma festa Plop. “O povo argentino é muito carinhoso. Fiquei muito feliz com a repercussão. As pessoas conheciam as músicas, cantavam em português, em espanhol … sei que tenho que voltar “, promete.

Nascida no Rio de Janeiro, Anitta é agora um fenômeno de massa – seus vídeos no YouTube quebram recordes de visualizações e tem 29 milhões de seguidores no Instagram – que vieram preencher um vazio em um país onde até a música mais comercial costumava ser uma reminiscência de mais sons próprios, como bossa ou samba. Anitta se apegou ao funk carioca, um ritmo muito popular nas favelas, e se estabeleceu como uma das poucas referências femininas do gênero. “Para mim, essa diferença entre reggaetón e funk não existe. O ritmo é diferente, mas a essência é a mesma“, diz ela.

Então ela esclarece: “Eu também misturo outros ritmos. Eu não canto apenas urbano; Eu canto um pouco de tudo porque é parte de ser eclético“. Em ‘Fica Tudo Bem‘, onde colaborou com o cantor indie Silva, ela mostra que a bossa nova também se encaixa nela. “Meu início na música foi com músicas mais próximas a esse estilo, mais lentas, mais melódicas. Então, para comercial, para cultura pop, eu canto urbano. Mas aprendi a cantar com esse tipo de música. E eu amo voltar para eles“, explica ela.

E imediatamente adianta que já está trabalhando em um disco mais próximo a isso. “Mas para esse tipo de coisa, menos comercial ou menos popular, sou muito crítica. A música tem que ser perfeita. Não é fácil fazer uma música como essa. Leva mais tempo“.

Se Anitta no Brasil já era um sucesso desde 2013, com seu primeiro álbum, seu salto internacional veio de colaborações compartilhadas com artistas como J Balvin, Maluma, Major Lazer ou o produtor americano Poo Bear, colaborador habitual de Justin Bieber. A partir desses cruzes veio o cantor gravou singles em português, inglês e espanhol. Agora, depois de passar por Buenos Aires, Anitta vai cantar pela primeira vez em Lisboa.

Hoje eu sou minha marca. Eu tenho minha empresa, com artistas que gerencio como empresária, e estou muito feliz em gerenciar meu trabalho sozinha, com escritórios em muitos lugares do mundo. Eu tenho uma equipe aqui, na Argentina, e também no México e nos Estados Unidos“, diz ela.

Alguns meses atrás, Anitta levantou poeira com o lançamento do vídeo da música ‘Vai Malandra‘, que já ultrapassou 274 milhões de visualizações no YouTube, e em que ela aparece cercada por homens, mostrando seus atributos físicos – em uma sequência, um rapper usa seu bumbum como um tambor, com as favelas do Rio como contexto.

Clarin: Muitos grupos sociais criticaram o vídeo [de Vai Malandra] por exibir como objeto sexual. Onde você está diante dessas críticas?
Anitta: Este vídeo para mim é como uma revolução. Eu estou mostrando minha essência no vídeo. E a essência de uma parte da população brasileira que mora nas favelas. Vivi essa realidade desde que nasci, até os 19 anos. Foi como voltar no tempo.

Clarin: E as críticas?
Anitta: Eu acho que quando você faz algo grande e controverso que vai resultar em discussões entre pessoas, não há como a crítica não existir. E se você é uma pessoa pública, está exposto a boas e más críticas. Eu gosto de fazer vídeos que provocam esse debate. Porque além de fazer músicas para dançar e curtir, você tem algo para conversar, trocar e confrontar opiniões. Eu não preciso que todos concordem comigo. É mais importante para mim aceitar que há outros que pensam de forma diferente.

Clarin: O que você quis dizer ou mostrar em “Vai Malandra“?
Anitta: A minha visão nesse vídeo foi: ‘Eu ainda sou a mesma de sempre’. As coisas que eu fiz quando criança eu continuo fazendo elas. E também, mostre que sou normal, como muitas mulheres. É por isso que mostro minha celulite, que eu a tenho; não há razão para negar isso. E eu estou feliz assim, tudo bem. Eu não vou parar de viver por causa disso.

Clarin: Mudando um pouco de assunto, você sabe que na Argentina o projeto da legalização do aborto, seguro e gratuito já tem metade da sanção. Você tem alguma posição sobre isso?
Anitta: No Brasil ainda é proibido. Eu acho que todos deveriam ser capazes de fazer o que quiserem com o corpo. Principalmente mulheres. Tudo na vida é mais difícil quando você é mulher. Eu pensava que não, até que comecei a trabalhar e vi que é assim. Além disso, você não está proibindo as pessoas de nascerem. Eles vão procurar maneiras ilegais de fazê-lo e, portanto, se colocarão em perigo de morrer. Eu acho que você tem que educar todos eles sexualmente, para evitar algo que eles não querem. Mas se a pessoa quiser fazer isso, existe uma opção segura. Para minha religião, pelo que acredito, não o faria. Mas não tenho nada a ver ou forçar a fazer qualquer coisa com o corpo de outra pessoa.

Clarin: E em um país tão católico quanto o Brasil, você vê que é difícil discutir isso em um futuro próximo?
Anitta: Eu acredito que no Brasil as mulheres estão lutando muito pela liberdade, pela independência. Eu acho que é possível, e é bom que seja debatido. Eu gosto da liberdade, das pessoas, de escolher o que querem fazer da vida. Eu acho que é possível.

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