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10
nov
17

É improvável que, vivendo no Brasil, você desconheça Anitta. Sua voz está nas rádios e figura entre as mais ouvidas no streaming nacional. Seu rosto hoje está entre 16 campanhas publicitárias e ela é a brasileira mais seguida do Instagram com 23,7 milhões de fãs. Anitta está em programas de televisão, capas de revista, é pauta de programas de fofoca e trilha sonora de novela. Seu nome está na boca do povo –  para o bem e para o mal.

Para nossa capa digital em comemoração aos 17 anos de QUEM Acontece, escolhemos a garota do momento: Anitta. Foram meses de negociação para conseguir encaixar na agenda dela o ensaio que você confere aqui. Por telefone – afinal, é difícil acompanhar Anitta se você não tem seu próprio jatinho – a cantora conversou comigo. “Desculpe o atraso, estava em uma reunião e ela demorou mais do que eu esperava”, disse ao me ligar. Essa é uma parte da sua vida, aliás, que não aparece nos posts do Instagram.

Anitta é cantora, mas também é uma mulher de (muitos) negócios. Quando não está no palco, se divide entre planejar e conduzir os rumos de sua carreira internacional e a vida pessoal. Se ela precisa colocar na agenda um tempinho pra curtir o namorado, Thiago Magalhães? “Não preciso (risos). É um comum acordo, se você está com vontade e a pessoa também… Depende da vontade dos dois”, garante, sem entrar em detalhes.

A meteórica carreira de Anitta já virou um case de sucesso que é assunto no meio publicitário e motivo de orgulho da cantora, que sabe que a voz está longe de ser seu principal trunfo. “A voz é um dos fatores, mas não é o mais importante. A mente é. Se você se perder no caminho, não adianta ter a voz mais incrível”, avalia.

Muitas vezes as pessoas olham superficialmente para carreira de alguém. ‘Ai…se eu sou x, só posso fazer x’… Por mais que o meu trabalho seja conhecido como o de cantora, existe muito mais. Existe ter compromisso com as pessoas, responsabilidade, palavra, ética, honrar o que fala”, continua.

Os motivos do ‘fenômeno Anitta’ não são poucos nem tão simples de se elencar. Gostos musicais à parte – você pode amá-la ou detestá-la – é admirável o quão rápido e longe chegou a artista nascida e criada no Morro do Brinquedo, em Honório Gurgel, subúrbio carioca.

Sempre tive esse desejo, o sonho de ser artista. Mas daí a acontecer é uma coisa que eu não tinha como imaginar”, diz ela, que começou cantando no coral de igreja, onde ia todos os domingos. “Em Honório eu ia muito para igreja e pra festa dos amigos, dos vizinhos. Eu não tinha muito acesso a coisas que não fossem ali de perto”, relembra ela, que nunca se distanciou das suas raízes.

Eu até olho pra trás, porque minha origem é humilde. Meu pai e minha mãe se orgulham muito, meu irmão também. Eles mudaram de vida por causa do meu trabalho e eu mudei de vida por conta do apoio e ajuda deles. Tento mantê-los perto de mim para manter o pé no chão”, diz ela, que hoje em dia leva seus amigos de Honório para as festas que dá em sua mansão na Barra da Tijuca: “Falo com toda a galera de Honório, eles vem pras minhas festas de aniversário, na minha casa. Não tem grupo no whatsapp por que lá eu só tenho de trabalho. Mas converso com eles sempre e os convido para as minhas celebrações“.

Dona do próprio nariz

Fazendo jus ao ditado que diz que ‘o olho do dono é o que engorda o gado’, Anitta se fez empresária dela mesma e está a par de tudo – absolutamente tudo – que envolve sua carreira. “Decidi tomar conta dos meus próprios passos. Tento fazer sempre da forma que amo, que eu sinta prazer e me sinta feliz. O que acontece na minha carreira é resultado de amor, dedicação. Sempre vou fazer algo em que acredito e não o que alguém me mandou e não tem a ver comigo”, avalia.

Sou eu quem dou os comandos, minha equipe cuida da agenda de acordo com o meu direcionamento. Depois que decido, tento apagar da minha memória. Senão fica muita coisa na minha cabeça”, explica.

Aos 24 anos, Anitta é responsável pelo emprego direto de 31 pessoas, entre banda, produção e balé, sem contar o time de publicidade, assessoria e gravadora que se dedica à cantora. Para o maquiador e amigo pessoal Renner Souza – quem acompanha o Instagram Stories dela sabe que os dois são unha e carne – o sucesso de Anitta está intimamente ligado à sua dedicação.

Ela costuma falar: ‘Quero que vocês sejam os melhores profissionais do mundo’. Anitta tem uma equipe que ela treina para ser a melhor, porque ninguém consegue fazer uma carreira dessas só. Ela é focada em tudo o que faz, e faz com amor. Ela realmente abdicou de muitas coisas da vida dela – de uma certa liberdade porque ela é uma menina jovem – pra realizar esse sonho”, diz.


Parceria é a alma do negócio

Anitta estourou em todo o Brasil em 2013, ano em que se tornou a cantora mais buscada do Google. Em 4 anos (sim, apenas 4 anos) virou uma verdadeira fábrica de hits. “Tenho a sensação de ser muito mais tempo. Amadureci muito rápido e muita coisa aconteceu”, conta.

Marina Morena, sócia da Map, agência de negociações para publicidade e licenciamentos que presta consultoria para Anitta, exalta as qualidades da amiga que a levaram onde está hoje. “Eu a vejo como uma atleta pela determinação, pelo fôlego, persistência. Ela tem uma personalidade forte e tem um sexto sentido inacreditável”, avalia. “No começo fiquei em dúvida, nossa empresa fazia o papel inverso de atender o cliente e não o artista. A Amanda (Gomes, sócia) insistiu e falou: ‘Essa menina vai fazer sucesso!’”, relembra.

Foi Marina quem apresentou Anitta a Giovanni Bianco, o diretor-criativo da Vogue Itália e um dos nomes mais importantes da moda internacional, queridinho de estrelas como Madonna e Gisele Bündchen. “Giovanni a conheceu em um jantar e adorou. As pessoas ficam encantadas como uma menina tão nova é tão focada e esperta”, diz Marina.

Ela tem todos os elementos para se tornar uma grande estrela da música pop internacional, se conseguir administrar as ansiedades naturais de uma menina de 24 anos. Ela tem uma estrela gigante e talento, além de armas potentes em sua mão: paciência e inteligência emocional, fatores fundamentais para ela continuar voando. Essa menina não veio ao mundo para brincar”, avalia Giovanni Bianco.

Na época, Anitta se preparava para lançar o álbum Bang, e foi Bianco quem sugeriu a criação da música de mesmo nome, cujo clipe foi dirigido por ele e já soma 324 milhões de visualizações no Youtube.

A gente não tinha grana para pagar o trabalho todo. Ela fez uma campanha de jeans e conseguiu o apoio de uma marca de cosméticos”, relembra Marina Morena sobre Bang. Desde então, Anitta tem se valido também da parceria com as marcas para diminuir os custos das megaproduções.

Sobre dinheiro, no entanto, ela é reticente. “Trabalho pensando em me realizar mais do que em fazer dinheiro. Tento fazer com que eu consiga manter os investimentos da minha carreira do jeito que eu sonho. Beleza, estrutura, qualidade… tudo isso precisa ter investimento. O que faço é trabalhar todos os lados e faço com que um sustente o outro”.


Respeito se conquista

Depois de Bang, um turning point em sua carreira, Anitta fez das parcerias musicais outro trunfo. Com isso, ela conseguiu levar seu nome além do funk, para fãs de sertanejo, pop internacional e até música eletrônica – uma mistura ousada, que poderia ter dado muito errado. Não deu.

Entre os parceiros musicais estão o astro latino Maluma, a rapper Iggy Azalea, Wesley Safadão e Projota. Loka, de Simone e Simaria com Anitta, já soma 483 milhões de visualizações: “Anitta é uma pessoa iluminada, por quem temos um carinho gigante. É sempre uma festa quando nos encontramos”, elogia Simone. “Ela é uma pessoa iluminada, inteligentíssima, que temos um carinho gigante”, emenda Simaria.

Amigo inseparável – dos passeios de barco ao cineminha em casa, Nego do Borel também é parceiro dela no sucesso Você Partiu Meu Coração, com Safadão, que tem 277 milhões de visualizações e ganhou versão em espanhol gravada por Maluma. “Anitta é a irmã que a vida me deu, por ela faço tudo que for preciso. Ela canta muito, é focada, inteligente, gata, gente boa e faz questão de acompanhar cada detalhe do seu trabalho de perto“, derrete-se.

O respeito vem ainda de nomes consagrados na música popular brasileira. “Gosto de Anitta desde que a ouvi num ensaio do Prêmio Multishow. Ela tem tanto talento que seu sucesso aqui ou em qualquer lugar é a coisa mais natural do mundo“, elogia Caetano Veloso, que dividiu com ela e Gilberto Gil a oportunidade única de cantar na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, para o Maracanã lotado.

A moda também faz parte de suas conquistas. Anitta virou queridinha de grifes internacionais, estilistas e revistas, algo impensável para uma funkeira alguns anos atrás. “O primeiro passo é muito difícil. Entrar num terreno que já está capinado e correr por ele é muito mais fácil do que ter que capinar tudo”, avalia ela.

Quando eu lembro de todas as barreiras que tive que enfrentar para abrir as portas, acabo me sentindo mais orgulhosa ainda, procurando forças para conseguir mais coisas. Na fase em que comecei não existia nada do tipo acontecendo, a galera não acreditava muito, duvidava. É mais difícil, mas depois é mais prazeroso lembrar da estrada toda e de como foi galgar esse lugar”, diz, cheia de orgulho.

Para se ter uma dimensão do império musical que ela vem construindo, alguns números: O clipe de Sua Cara, em parceria com Pabllo Vittar e Major Lazer, alcançou 20 milhões de views em 24h e é o terceiro mais visto do Youtube em 1 dia. Paradinha está na lista dos vídeos em alta nos Estados Unidos.

Checkmate

Para quem ainda não é fã, Anitta tem dado seu ultimato: o projeto Checkmate, em que ela se propôs a lançar um vídeo todo mês. “Esse projeto me apresenta para pessoas que não me conhecem. O grande desafio é conseguir ir aos poucos, sem muita ousadia, pra conseguir trilhar um caminho seguro, mas ao mesmo tempo manter o que tenho”, explica ela.

Ela já pensava em fazer algo que impactasse o mercado brasileiro em qualidade e quantidade de clipes. Fomos afinando e chegamos ao Checkmate, que todos aguardam mensalmente, com giros pelo Brasil, peças de xadrez em capitais e eventos com marcas e imprensa. O projeto é audacioso e conta com uma estrutura incrível. Anitta é tudo isso que a gente vê: pioneira, original, genial e muito talentosa”, conta Paulo Pimenta, assessor de imprensa da cantora.

Com Checkmate, Anitta já lançou Will I See You, uma balada romântica que é também flerte musical com Poo Bear, produtor de Justin Bieber, e Is That For Me, feat. com o DJ Alesso que envereda pela música eletrônica. Depois de nosso bate-papo, Anitta voou para Nova York para sua nova aposta: Downtown, parceria em espanhol com o colombiano J.Balvin – sucesso mundial com o reaggeton Mi Gente.

O projeto faz parte de uma estratégia ambiciosa de Anitta na construção de sua carreira e é inédita no mercado fonográfico brasileiro – podendo ser comparada ao marketing de grandes estrelas pop, como Taylor Swift e Katy Perry que, aliás, já espalhou globos espelhados pelo mundo em uma ação semelhante às peças de xadrez pelo Brasil.

Tenho o sonho da carreira internacional, mas preciso fazer isso de maneira inteligente para não perder meu público no Brasil, ao mesmo tempo que começo a construir lá fora. É uma coisa que não vai ser rápida, assim como não foi no meu país. É mais difícil ainda porque ninguém fez isso ainda antes. É começar do zero”, explica. Com isso, Anitta renova, mês a mês, o interesse do público por sua carreira, despertando também o interesse de quem é apenas curioso (ou hater).


Assumindo riscos

Apesar de investir suas fichas na carreira internacional, Anitta diz não se sentir pressionada a se tornar essa grande estrela pop tipo exportação que há anos o mercado brasileiro tenta impulsionar. “Fico muito feliz em ver a torcida das pessoas e em ver que elas acreditam que eu possa acontecer lá, mas tento não me sentir pressionada e informar ao público que essa não é uma tarefa fácil. Se fosse, teríamos outros casos e não temos. Tento dizer para galera que pode não se concretizar e não tem problema nenhum. A gente não tem que deixar de fazer por medo de fracassar. Fracasso pode ocorrer, eu não estou imune a ele. Se não der certo, vou ter a convicção de que fiz tudo da melhor maneira possível. Fiz tudo pra que acontecesse”.

Para quem já chegou tão longe, colocar o pé no freio não é uma opção. “Se a gente tiver medo, a gente não faz. Tenho a consciência da possibilidade. Tenho consciência de que é possível tanto o sucesso quanto o fracasso. Você vai em frente e a vida não acaba. Morei em Honório, tinha minha vida lá e era super feliz. Tenho minha carreira no Brasil e sou super feliz. Posso crescer e ser feliz, posso não crescer… Mas medo eu não tenho”.


Fonte: QUEM
Reportagem: Fabiana Sato
Fotos: Eduardo Bravin

01
nov
17

Sendo a 10ª mais votada pelos leitores da revista VIP, Anitta figura a lista das mulheres mais sexy de 2017.

Com essa colocação a cantora garantiu seu quinto ano consecutivo entre as dez mulheres mais desejadas do mundo: 2º lugar em 2013 e 2014; 1º lugar em 2015; 5º lugar em 2016; além do 10º lugar em 2017.

A edição com o ranking completo e o ensaio da vencedora chega às bancas na primeira sexta-feira de novembro, dia 03/11

Central Anitta Postagem por: Central Anitta
26
out
17

Há algumas semanas, Anitta causou mais uma vez ao lançar o clipe baphônico de Is That For Me, em parceria com o DJ sueco Alesso. Em menos de uma semana, o vídeo, gravado na Amazônia, chegou ao quarto lugar do Viral 50 Global do Spotify e alcançou o topo das paradas brasileiras.

Em entrevista exclusiva à CAPRICHO WEEK, a cantora falou sobre o sucesso da música nova e os próximos passos do projeto Xeque-Mate, que promete lançar um clipe por mês. Ah, nem precisa dizer que as fotos que ilustram a materia foram feitas num ensaio especial no meio da Floresta Amazônia, né?


CH: Anitta, o clipe de Is That For Me teve mais de 12 milhões de visualizações no YouTube antes mesmo de completar uma semana. Parece que tudo o que você lança é garantia de sucesso. Ainda fica nervosa quando vai soltar uma música nova?
Anitta: Claro! Até porque não dá tudo certo o tempo todo. São várias coisas que acontecem no meio do caminho. Mas fiquei muito feliz com o resultado de Is That For Me. O clipe é o resultado de muito trabalho e esforço, e agora tenho a sensação de dever cumprido.

CH: Como se sentiu quando estava gravando o clipe na Amazônia?
Anitta: A energia de lá é uma coisa sem igual. Amei cada segundo de estar lá. Nunca tinha ido para a Amazônia e foi a melhor experiência da minha vida. E me sinto ainda mais feliz agora, vendo a repercussão do clipe. O Alesso tem público lá fora, então teve noticia sobre a música em francês, italiano, espanhol… É muito legal poder levar a Floresta Amazônica para o mundo.

CH: Não rolou um medinho na hora de entrar no rio e dar de cara com um jacaré ou uma cobra?
Anitta: Cara, eu nem pensei nisso, sabia? Só depois que postei os vídeos dos bastidores, quando o pessoal começou a comentar, é que eu parei e pensei: “Será que realmente poderia ter vindo um bicho?” (risos).

CH: Como foi a escolha do figurino
Anitta: Deixei tudo por conta da minha stylist (a estilista Yasmine Sterea). Ela tinha algumas referências da Amazônia, da floresta, dos animais… A ideia era levantar a bandeira da preservação, dos animais em extinção, da matança, e chamar a atenção para essas belezas naturais que estão se acabando.

CH: Você tem algum look preferido?
Anitta: O que eu mais gostei doi o das luvas rosas. Mas curti também o da noite, na figueira, com as penas.

CH: Essa história de que você chamou um xamã para garantir o céu azul no dia da gravação do clipe de Is That For Me é verdade?
Anitta: É mentira! A gente chamou um no final de tudo, porque eu adorei a energia do lugar e queria agradecer, mas não teve nada a ver o clima, não.

CH: Dá uma dica pra gente: a próxima música do projeto Xeque-Mate vai ser em inglês, português ou espanhol?
Anitta: Ah, ainda é segredo. Mas tem coisa boa vindo aí! Vou cantar nos três idiomas no projeto. E o que posso revelar, por enquanto, é que não vai ter mais nenhuma música lenta. Ah, e teremos mais parcerias.

CH: Hummm, legal! Esses dias você fez Stories mostrando a primeira versão do clipe de Vai Malandra. Podemos esperará-lo para breve?
Anitta: A gente tem a intenção de que essa seja a última música do projeto, justamente porque é o grande xeque-mate, né? Nós viemos numa crescente, cada música e cada clipe vão melhorando, até que vamos chegar ao Vai Malandra, que pra mim é o mais incrível.

CH: Como foi a experiência de gravar numa comunidade do Rio de Janeiro?
Anitta: Foi inacreditável. Espero que o Brasil inteiro se apaixone pelo clipe e que a gente possa mostrar bem a cultura da favela e da comunidade, que eu amo tanto e que tem tudo a ver comigo.

CH: Agora você está direto nos Estados Unidos. Vai para lá para trabalhar ou para curtir os dias de folga?
Anitta: Vou quando tenho alguns compromissos de trabalho, mas sempre tento aproveitar para pegar uma folguinha e ter um momento de lazer também. Tento mesclar um pouco dos dois, porque a vida não é feita só de lazer ou só de trabalho, né?

CH: Você sente que tem mais liberdade lá, por ainda não ser tão reconhecida na rua?
Anitta: Agora nem tanto. Da última vez em que estive lá, fui bem reconhecida por uma galera latina, por causa de Paradinha. É óbvio que a carreira internacional não vai acontecer com a velocidade e a potência que o brasileiro está esperando. As coisas não acontecem de um dia para o outro. Aqui no Brasil, demorei sete anos para chegar aonde estou hoje. Não foi de repente. Globalmente, com a quantidade de pessoas tentando a mesma coisa, também não vai ser de repente que eu vou conseguir. A gente tem que ir aos pouquinhos. Cada pequena conquista é uma vitória nova.

CH: Como se sentiu ao ser reconhecida por gringos?
Anitta: É como voltar ao passado, quando estava no começo da carreira no Brasil. Nessa minha última ida aos Estados Unidos, quando fui parada por alguns latinos que me reconheceram, fiquei bem surpresa, feliz e encantada. Foi bem legal.

CH: Apesar de todo o esforço para fazer a carreira internacional dar certo, você não foi indicada ao Grammy Latino. Ficou chateada com a notícia?
Anitta: Não, nem vi isso. Acho que estava viajando ou fazendo alguma coisa que eu não reparei, para ser bem sincera. Para mim, a resposta do público com meu trabalho é maior do que qualquer premiação ou coisa do tipo. Eu não ligo tanto nisso, não.

CH: Você ouviu a versão em espanhol que Maluma postou no Instagram de Você Partiu Meu Coração?
Anitta: Eu não vi! Existe? Não estava sabendo, não. Vou olhar. Que legal!


Fonte: CH Week

19
jul
17

Anitta é capa da edição de julho da Women’s Health Brasil e, ostentando uma barriga chapada nas fotos da revista, a cantora ainda falou sobre sua atual dieta, seu treino, controle de ansiedade e outros assuntos relacionados à sua saúde.

Abaixo, temos alguns trechos da entrevista da Anitta para a revista, que já está à venda nas bancas por todo o Brasil.

Com a carreira bombando e em meio a um forte planejamento para atingir a fama internacional, Anitta contou que precisa fazer escolhas simples em seu dia dia para conseguir conciliar a agenda profissional com a pessoal. Em entrevista à edição de julho da revista Women’s Health, a cantora disse que é preciso se esforçar para arranjar aquele tempinho com um affair.

Ontem tive um date e com ele não posso dizer ‘podemos nos ver daqui a três meses?’ É escasso o negócio. Se apareceu, tem que agarrar a oportunidade, entendeu? (risos). Então, para ter um date, preciso sacrificar alguma coisa… Não vou dormir direito, vou trabalhar com sono, não tem como malhar, não tem como fazer nada. Às vezes você tem que escolher. Ou vou para o date ou vou dormir cedo, acordar cedo e malhar.

Ostentando uma barriga chapada e até com gominhos, a cantora contou como conseguiu se livrar do efeito sanfona com a ajuda da coach Mayra Cardi.

Ela me colocou para fazer terapia. Antes eu achava bem desnecessário. Na verdade, a gente come para aliviar questões. Aí ela viu de perto a minha vida e falou: ‘Amor, você vai enlouquecer, hein?’. Ela me mostrou coisas que poderiam mudar na minha rotina [uma das mudanças foi colocar uma personal chef à disposição da cantora o dia inteiro] e o por que disso. Eu como por ansiedade, por exemplo. E a Mayra observou coisas do meu ambiente que estavam aumentando a minha vontade de comer.

Anitta ainda falou sobre outros assuntos com a revista, como a questão de ser mãe: “Quero mais é adotar! Eu me imagino uma mãe completamente dedicada. Mas não tenho a necessidade de ter uma criança dentro de mim. Acho que já tem muita gente no mundo, dá pra eu adotar“, disse ela.

Sobre a questão da legalização do aborto, a carioca também tem uma opinião formada: “Olha… eu não faria, mas acho que as pessoas tem que ser livres para fazer o que elas quiserem. Não adianta nem legalizar, nem proibir, você precisa informar. Você tem que ensinar os motivos das coisas. Mas isso leva tempo, dinheiro, dedicação. Então é muito fácil proibir“, finalizou ela.

Fotos:

Making of:

Assim que novos conteúdos, ou a entrevista completa, forem liberados, atualizaremos o post.

17
maio
17

Os números confirmam: ela é hoje das maiores artistas pop, senão a maior, do país. Mas o que passa pela cabeça dessa carioca?

Tem um tempo que Anitta anda sonhando com comida. Quando não é comida, é com alguma situação na qual o inglês é o idioma obrigatório. Os sonhos da cantora contam um pouco sobre o que é viver em sua pele hoje. Passar vontade e treinar exaustivamente um inglês americano livre de sotaque é parte de um planejamento que inclui viagens frequentes a Los Angeles, ficar fluente em espanhol, dançar como Beyoncé e mudar uma imagem de moda que até um passado recente era ligada ao funk.

Todo o esforço, combinado a um pesado investimento financeiro, tem como objetivo uma aterrissagem estratégica no disputado mercado fonográfico “internacional”, ou melhor: norte-­americano. “Sou muito planejada, você não vai me ver dar passos no escuro. Enquanto não estiver tudo como acho que tem que estar, não vou em frente“, diz, depois de recusar uma das refeições obrigatórias da dieta feita especialmente pra ela.

Anitta recebeu a Trip na própria casa, uma mansão de três andares em um condomínio na Barra da Tijuca, bairro de emergentes no Rio de Janeiro. Aos 24 anos, dispensa empresários, não é de largar o osso e atribui a isso a chave pro sucesso que colhe agora. “Querer é poder” é como um mantra pra ela.

Dizem que é vizinha de Juliana Paes. Dizem ainda que o imóvel custou R$ 10 milhões, fora os gastos com a decoração, de estética pop com moveis de designers renomados. Alí, mora com a mãe, Miriam, três cachorros e uma porquinha-da-índia.

No dia da entrevista, estavam na casa também Karina, que cuida da venda de shows na Rodamoinho, a empresa que Anitta tem para gerir sua carreira com o irmão Renan, que apareceu durante a tarde; um amigo que havia dormido lá; a ex-BBB e life coach Mayra, responsável pela rotina alimentar da cantora; dois cozinheiros; um jardineiro;  uma ou dias empregadas domesticas; e Paulo, o assessor de imprensa. No terceiro andar, há uma ampla sala de dança onde a cantora treina boxe e coreografias todo dia – pra ver, basta segui-la no Snapchat.

Vinda do funk carioca – foi descoberta aos 17 anos pelo DJ Batutinha, da Furacão 2000, num vídeo no YouTube em que cantava usando um vídeo de perfume como microfone – Anitta tem um tato raro para administração que se reverte, na carreira gerida por ela mesma, em números e feitos de respeito. O ultimo: foi a única brasileira no Social 50 da Billboard americana, um ranking que mede a popularidade de artistas nas redes sociais. Ela aparece em 33º lugar, na frente de Katy Perry, Taylor Swift, Bruno Mars e Lady Gaga.

Na abertura das Olimpíadas, transmitida pro mundo todo, foi escolhida para cantar ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Para a música “Sim ou Não”, convidou o colombiano Maluma, e para o single novo, “Switch”, que lança este mês, a cantora Iggy Azalea. Antes disso, fechou parceria com o diretor criativo ítalo-brasileiro Giovanni Bianco, que já trabalhou com nomes como Madonna. É dele a direção de arte dos vídeos de “Bang” e “Essa Mina É Louca”, dois ímãs de views no YouTube, com 300 milhões e 170 milhões, respectivamente.

E isso considerado os vídeos oficiais. Com os enviados por fãs, um dado que o YouTube leva em conta para medir o tamanho dos artista, Anitta registra 2,5 bilhões de views (na couting). No Spotify, é a quarta mulher mais ouvida desde que o aplicativo foi lançado por aqui – a primeira é a Rihanna.

Nascida em 1993 com o nome de Larissa de Macedo Machado e criada em Honorio Gurgel, bairro carioca de classe média baixa, Anitta de inspirou na minissérie Presença de Anita para escolher o nome artístico. Quando criança, aprendeu a cantar na igreja, levada pelos avós paternos.

Em 2012, assinou com a Warner Music e lançou o clipe “Show das Poderosas”, que a catapultou para a fama: Anitta passou a estar em todos os lugares, fez parcerias certeiras, estudou muito, cuidou – e ainda cuida – de cada detalhe, incansavelmente. Na entrevista a seguir, as estratégias, os interesses, os sonhos e as opiniões (e algumas respostas evasivas de uma das mais influentes artistas brasileiras da atualidade).


Trip: É normal, por conta do seu primeiro sucesso, ‘Show das poderosas’, você ser associada a essa palavra. Mas você se sente poderosa?
Anitta. Se ser poderosa é ser livre para fazer o que você tem vontade e conseguir chegar aonde você quer – se poder significa fazer o que quero –, sim, me sinto.

Trip: A fama faz você pensar duas vezes antes de fazer algo?
Anitta: Não existiu até agora uma situação em que eu tenha chegado à conclusão de que não faria algo por ser uma pessoa pública. Não me privo. E nunca fui de fazer coisas erradas. Sempre medi muito as coisas e procurei respeitar o próximo. Quando você respeita o próximo, não tem erro. Meu limite é onde o do outro começa.

Trip: O sucesso não tirou nada de você?
Anitta: Não. Sou muito feliz com a minha vida. Sou dona da minha agenda, dona das minhas decisões. Tudo que faço é uma escolha minha. Esta entrevista, por exemplo, eu soube, eu quis e eu decidi que seria este dia.

Trip: Até coisas banais você consegue fazer normalmente?
Anitta: Tem uma coisa banal: comer. Amo comer exageradamente. Mas não tenho certeza se me privar de comer seja uma exigência do sucesso, talvez tenha mais a ver com saúde. Se não fosse famosa, cairia na mesma limitação.

Trip: Você faz dieta?
Anitta: Como de forma saudável. Quando escapo, escapo. No mais, dá pra você comer gostoso e saudável. É só recorrer às pessoas certas para te ajudar.

Trip: A quem você recorreu?
Anitta: Agora, à Mayra Cardi, que veio da Califórnia para passar um mês me acompanhando aqui em casa. Ela ensina as pessoas a mudarem a rotina de exercícios e cardápio. Cuida da alimentação, do treino e até da mente. Te ajuda a não ficar pensando em comida o dia inteiro, como eu ficava.

Trip: Você disse que a dieta não tem muito a ver com a fama. Mas, para uma artista pop, o quão importante é o corpo? É preciso ser magra?
Anitta: Sem hipocrisia: é importante. O trabalho que faço envolve dança fôlego e disposição, mas nem sempre saúde quer dizer magreza, ter um corpo lindo e não ser saudável. A pessoa pode ser magra, ter um corpo lindo e não ser saudável. É importante, pra mim, ter um corpo saudável por causa da dança, e pela forma como gosto de me vestir no palco. É difícil você dançar com muita roupa, por exemplo. Os movimentos ficam travados. Mas não sou refém disso. Não fico mal por isso, sabe? Não vivo em torno disso. É uma parte de um todo. Se você estpa bem, resolve isso bem.

Trip: Vivemos um momento de liberação feminista. Como você vê essa ideia de as mulheres se aceitarem como elas são?
Anitta: Acho que as pessoas tem que fazer o que se sentem felizes fazendo. Quando to a fim de cuidar do corpo e ficar incrível, faço isso e tá tudo certo! Tudo em exagero é ruim. Comer em exagero é ruim, pensar exageradamente em dieta também.

Trip: Você sempre se gostou?
Anitta: Não. Esteticamente falando, nem sempre.

Trip: Quando foi isso?
Anitta: Na adolescência. Mas não sofria com isso. O fato de eu não me gostar não significava que eu acordava e ficava reclamando com o espelho.

Trip: Você lembrava do que não gostava?
Anitta: Ah, não gostava de tudo que aparei depois, né? De tudo em que fiz plástica.

Trip: E quais foram as plasticas?
Anitta: Já fiz plástica no nariz, no corpo. Mas não quero especificar.

Trip: Você pensa em fazer outras?
Anitta: As pessoas me perguntam isso o tempo todo. Mas não, não fico com essa obsessão, pensando em fazer mais uma plástica. Tipo: “Não vejo a hora de fazer outra plástica”. E, se eu fizer, não vai ser porque eu estou infeliz. Pra mim plástica é algo simples. É como eu acordar e decidir que quero deixar o cabelo crescer ou decidir ficar loira.

Trip: Mas plásticas são procedimentos definitivos.
Anitta: Não. Se você quiser, você pode ficar mudando a plástica que fez.

Trip: Mas aí comparar com pintar o cabelo…
Anitta: Olha, me sinto completamente outra pessoa ao pintar o cabelo. Me sinto outro ser humano. Se estou com um cabelo que não me agrada, nem me reconheço.

Trip: Então, ao fazer os procedimentos você tinha vontade de se sentir completamente você?
Anitta: Não. Era vontade de fazer o que queria. As pessoas tem a necessidade de potencializar o motivo da plástica, ne? E nem pra todo mundo existe esse motivo tão grande assim. Para mim pelo menos, não. E, sabe, é justamente isso que está começando a mudar aos poucos na sociedade. As pessoas estão começando a entender que aquilo é difícil pra um, não é pro outro. Para mim, plástica não é questão nenhuma. Se fiz e não gostei, faço outra para resolver. Não potencializo as coisas como se não tivessem volta. E plástica é uma coisa que as pessoas tem dificuldade de assumir, pois tem isso do “você tem que se amar do jeito que você é”. E essa obrigação traz uma dificuldade em assumir que você fez uma. Falo isso abertamente justamente porque ninguém tem coragem de falar.

Trip: Por que você acha que as pessoas não falam?
Anitta: Quando se é uma pessoa publica, vocês [imprensa] se metem o tempo todo pra fizer se fulano era melhor antes ou depois. E tem muita gente que não gosta dessa entrada das pessoas, dessa invasão.

Trip: Você sente essa invasão?
Anitta: Acho injusto eu chamar de invasão ou reclamar. Adoro ser curtida nas minhas fotos e que meu clipe seja assistido por milhões de pessoas. Não é justo eu querer que as pessoas lotem meu show, assistam ao meu clipe, comprem meu cd, meus produtos e proporcionem a vida que tenho, e não querer que elas se metam na minha vida. Essa é a minha filosofia. Eu acho que faz parte da fama: eu pedi isso e busquei essa vida.

Trip: Então esse preço da fama nunca foi alto?
Anitta: De novo: quando vou atrás de milhões de visualizações, milhares de pessoas no show, eu sei que vai rolar uma espécie de troca. As pessoas tem curiosidade de saber da minha vida. É uma troca e respeito isso. Até quando elas são invasivas, tento entender o lado delas.

Trip: Você já declarou que sonha em ser artista desde que se conhece por gente. É isso mesmo?
Anitta: Penso em ser artista desde que nasci. Tenho fitas em que eu tinha 2 anos de idade e to cantando naqueles microfones de brinquedo. Fazia show para as minhas bonecas e apresentava programas com embalagem de perfume como microfone para meus bichinhos de pelúcia. Eu ia em festas de criança, de penetra, só para dançar. Queria ser atriz, apresentadora, cantora. Eu queria ser tudo.

Trip: Da para dizer que sua casa era musical?
Anitta: Era movida a música porque eu mesma tinha isso. A musica tocada o tempo todo porque eu pedia e fazia questão. Sempre fui muito curiosa. Queria saber como o mundo acontecia, acho que isso me levou a música, mas também me levou pra tudo. Assistia a documentário de biologia e historia, coisa que as crianças da minha idade não gostavam. E vim de um lugar humilde, onde a leitura não era estimulada. Quando mais humilde o lugar, menos você sente a presença da leitura. Na minha casa, a televisão era estimulada, a leitura eu fui atrás.

Trip: Você foi autodidata então.
Anitta: De uma forma, sim. Eu ia atrás do que me interessava. Mas recebi muito conhecimento pela TV também. As pessoas engessam o que é estudar. Tem varias formas de você adquirir conhecimento, a TV pode ser uma delas.

Trip: Ainda vê bastante televisão?
Anitta: Sim, mas procuro assistir coisas que vão me agradar. Assis a muitos documentários. E uma coisa que não imaginam que eu faça, né?

Trip: Que documentário você viu recentemente?
Anitta: É uma serie, chama cosmos, vi na Netflix. Fala sobre a teoria da criação do universo. Tenho muita curiosidade dessa coisa religião versus ciência.

Trip: Você reza?
Anitta: Muito. Creio na ciência, mas, até crendo nela, acredito no poder das minhas rezas. Rezo pra sempre me manter uma pessoa correta, pra que seja justa e merecedora das coisas que tenho. Peço a deus e aos meus anjos da guarda, a pessoas que faleceram, minha avó, por exemplo.

Trip: Você vai a igreja?
Anitta: Não tenho tempo.

Trip: Se tivesse, iria?
Anitta: Não. Nem sempre acho que as pessoas que estão ali tem bons propósitos.

Trip: Você estava contando mais cedo que assiste aos shows da Beyoncé e da Jennifer Lopez para estudar figurino e dança. Você estuda para poder opinar em todos os processos ligados a sua carreira?
Anitta: Olha, não me meto onde não sei. Se abro a boca pra falar alguma coisa, é porque tenho certeza do que estou falando, é porque já pesquisei, e vi que não to falando asneira.

Trip: O vídeo de “Bang” foi um dividir de águas?
Anitta: Foi. Muito. O Giovanni  [Bianco] conseguiu um produto e uma imagem que agradassem gregos e troianos. Aquela imagem ficou entendível pro publico da moda, pro publico que não entende nada de moda, pros adultos, pras crianças…. conseguimos mostrar que é possível fazer um trabalho popular e chique. Divertido e sensual. E, né, eu vim da favela. Minha carreira começou cantando nos bailes de favela. Hoje, canto pra publico AAA – não acredito muito nessa coisa de classe A ou B, mas as pessoas separam -, canto para todos os públicos.

Trip: Tem algo naquele clipe de você se apresentar como uma artista mais ligada a moda. Isso era uma vontade sua?
Anitta: Olha, antes eu não gostava de moda. Mas, a partir do momento em que entendi que tinha que lidar com moda, entendi que tinha que gostar. E hoje não só gosto como tento entender como a moda pode me ajudar na carreira. Não tenho tempo pra estudar como gostaria, porque, afinal, tenho um monte de coisa pra cuidar, mas sempre procuro o profissional ideal pra trabalhar comigo. E tem uma pessoa, que é a Marina Morena [empresária, filha de consideração de Gilberto Gil e Flora Gil], que me ajuda a encontrar as pessoas certas. E aí eu vou aprendendo. Acho que a gente nunca pode ter vergonha de dizer que não entende, porque senão vai continuar sem entender pro resto da vida.

Trip: Você acabou de falar da quantidade de coisas que faz. Você tem empresário?
Anitta: Hoje eu sou minha empresária. Tenho a minha empresa e supervisiono todo o funcionamento dela. São mais de 50 pessoas que vou gerindo diariamente, fora os colaboradores indiretos.

Trip: “Supervisiono” você quer dizer dá a palavra final?
Anitta: Palavra final, mas não só. Eu cuido o tempo inteiro das coisas.

Trip: E quais são elas?
Anitta: Cabelo, maquiagem, stylist. Publicidade, propaganda, patrocinadores, campanhas. Assessoria de imprensa. Mídia sociais – o que eu devo dizer nelas, quando sumo, quando volto, quando faço eles sentirem falta de mim, quando os fãs precisam de mais atenção. Coreografias. Parte musical da direção do show. Compor musicas. Lançamento de clipe. Cenário, luz, roteiro de show. Gerenciamento da equipe técnica que vai fazer isso acontecer. A venda de shows. E agora o internacional. A parte legal também, porque tudo que acontece tem contrato. Contabilidade, que é a parte que eu mais odeio.

Trip: Mas não tem ninguém pra cuidar da contabilidade pra você?
Anitta: Obvio que sim. Mas, se você não vai lá olhar, uma hora algo ruim acontece.

Trip: O que você não supervisiona? O que você confia para outro de olhos fechados?
Anitta: Isso é impossível. Não existe nada que eu nunca cheque. Estou sempre cobrando, analisando, vendo se esta tudo exatamente como gostaria que estivesse. Mas existem, sim, profissionais em quem eu mais confio. É o seguinte: quando eu contrato alguém, deixo por um mês ele fazer o que quiser. E se eu gosto, show.

Trip: Em uma profissão em que todo mundo quer pegar um pedaço do seu sucesso, do seu dinheiro, é necessário ser controladora?
Anitta: Quando eu não to prestando atenção em tudo, você pode ter certeza de que algum lugar vai ter uma falha. Mas esse controle todo, eu não faço com dor, nem com tristeza, porque eu que escolhi isso pra minha vida.

Trip: Você tem dificuldade de confiar ao outro?
Anitta: Eu digo que tenho, mas não tenho, não. Se eu encontrar uma pessoa em quem eu consiga confiar minha carreira, vou amar. Sei o quanto custa de energia para tomar conta de tudo perfeitamente. É uma rotina desgastante. Só consigo porque amo o que faço.

Trip: Seu irmão é seu sócio?
Anitta: Sim. Ele fazia faculdade de ciência da computação e eu meio que obriguei ele a vir viver minha vida e agora ele ama o que faz. Meu irmão cuida pra mim das partes mais exatas, os custos por exemplo. Ele tenta fazer as coisas que eu quero fazer pelo menor custo possível.

Trip: Dá impressão de que você tem irmãs gêmeas e que as esconde.
Anitta: Pra você ver! E alem disso tem que ensaiar, fazer show, tirar fotos com a galera, ficar magra [risos]! Essa é brincadeira. Não é tanto assim. Mas sou detalhista. Olho os mínimos detalhes de tudo, pra que tudo fique o mais próximo de perfeito. E consigo porque conheço muito o meu publico.

Trip: Uma reportagem recente dizia que você mesma agendava e fazia reuniões com patrocinadores. Continua assim?
Anitta: Sim. Semana passada eu fiz uma dessas reuniões. Dessa vez com a marca que vai patrocinar o próximo clipe. Conheço meu publico melhor do que ninguém. Então prefiro entender o que o cliente quer e ser sincera. Se meu fã não gostar, não vou fazer. Ou então digo: meu publico vai entender melhor se for desta maneira.

Trip: Quem são seus patrocinadores hoje?
Anitta: Três grandes marcas estão comigo há três anos e a gente acabou de renovar. Samsung, Adidas e Niely Gold. E eles tem meu telefone pessoal. Podem falar comigo quando quiserem.

Trip: Você ainda tem um programa no Multishow, que é ao vivo, toda semana. Nunca faltou na gravação?
Anitta: Este ano eu falei com eles que os próximos meses seriam de muita viagem, por conta da carreira internacional. E eles falaram: “Mas a gente quer muito renovar, então vamos combinar assim: você pode faltar cinco vezes”.

Trip: Em que pé está sua carreira internacional?
Anitta: Eu falo dela porque as pessoas me perguntam muito, mas por enquanto ainda estou fazendo o trabalho de base, armando o jogo.

Trip: E por que você acha que perguntam muito?
Anitta: Acho que é porque as pessoas realmente tem essa esperança de que eu consiga. Mas só falo da carreira internacional porque as pessoas perguntam. Se fosse por mim, não falaria. Não gosto de causa expectativa de uma coisa que nem sei ainda como vai ser, do que vai rolar. Eu sou planejada. E falo isso até com os managers lá de fora. “Olha, se não tiver aqui na minha frente pra eu escolher as datas, como vai ser, quanto, os números, não vou mexer um pauzinho.” Não adianta sair colocando coisas na internet, jogando aí ao léu, entende? Vou estar queimando cartucho.

Trip: Tem uma frase da Beyoncé: “i’m not bossy, i’m the boss” [Eu não sou mandona, sou eu quem manda]. Você se identifica com essa frase?
Anitta: Sim… É… Médio. Eu realmente sou quem manda, mas não gosto de ter que deixar isso claro. Gosto de ver a minha equipe crescer um nível que não precise falar “eu que to mandando” ou “a chefe sou eu”.

Trip: Eu queria voltar nos estudos. O que você está estudando agora?
Anitta: Inglês eu nunca paro. Agora faço accent coach, que é pra tirar o sotaque. Estudo espanhol. E estou lendo muito sobre psicologia. Se não fosse artista, seria uma psicóloga feliz.

Trip: Estuda psicologia em casa?
Anitta: Sim, só em casa. E tenho pessoas que vão me dando recomendações. A minha terapeuta, por exemplo.

Trip: Que tipo de terapia você faz?
Anitta: Não quero dizer, não.

Trip: Quanto tempo faz?
Anitta: Tem pouco tempo, desde que eu conheci a Mayra. Ela indicou.

Trip: Gosta de cozinhar?
Anitta: Amo! Só não tenho tempo, mas adoro.

Trip: Qual é o prato que você mais gosta de fazer?
Anitta: Pizza! Mas sei fazer tudo: panqueca, lasanha, até pão. Sei fazer muita comida, desde criança.

Trip: Tem algo que não interessa aprender de jeito nenhum?
Anitta: Se eu pudesse, aprenderia de tudo. Conhecimento é sempre libertação.

Trip: Como você se informa? Lê jornal, alguma mídia especifica?
Anitta: Leio jornal, sim. Mas não tem nada que eu acesse todo dia.

Trip: Qual sua opinião sobre o caso Su Tonani e Zé Mayer? Muitas globais se posicionara, com a hashtag #MexeuComUmaMexeuComTodas. E você^o que pensa sobre isso?
Anitta: O respeito tem que existir. Era o que eu estava falando sobre limites. O seu limite termina onde o do outro começa. Você pode ir até onde dor o limite do outro. E isso é uma coisa muito delicada, né?

Trip: Você se identifica com o feminismo, com as reivindicações do movimento?
Anitta: As pessoas me perguntam muito sobre isso, sabia? Perguntam também se sou feminista.

Trip: E o que você responde?
Anitta: Que sim, que espero que os direitos sejam iguais para todos. Nesse sentido eu me identifico com o que diz o movimento. Mas, quando vejo mulheres dizendo que são melhores que os homens e tem o direito de se sobrepor, daí não concordo. Não acho que a mulher é melhor que o homem, nem o homem melhor que a mulher. Eu não sou a favor do pensamento que diz que o homem deve ser tratado como coisa. Se não queremos ser tratadas, não podemos tratar ninguém assim.

Trip: Mas você recebe criticas por rebolar e muitas vezes é vista como objeto, não?
Anitta: É verdade. Mas olha que engraçado: recebo mais preconceito de mulheres que de homens. Inclusive, já me deparei com mulheres que se diziam feministas e julgavam minhas vestimentas e jeito de dançar. Mulheres devem se unir, não se atacar. Não existe uma formula certa pra ser melhor. Existe uma formula certa pra ser humano: respeitar o outro e se respeitar. Não gosto de nada que aponte dedos.

Trip: Já pensou que, se você fosse homem, seria menos julgada?
Anitta: Não. Acho que sou julgada por vir do funk, por dançar e porque as minhas musicas não oferecem conhecimento. Minha música é entretenimento, mas você não vai aprender… ou vai, né? Talvez minha musica conte um pouco de feminismo. Acredito que mulheres podem aprender a se amar mais ouvindo o que canto. Isso de autoestima. Pra mim, homens precisam tratar mulheres como tratam os amigos deles: sem julgar.

Trip: Você falou do preconceito que sofre por ter vindo do funk. Não tem mesmo nada sexista aí? Homem cantando funk sofre o mesmo preconceito que você sofre?
Anitta: Quando você vê um homem cantor muito vaidoso, ou que se assuma gay, ou que use roupas justas e femininas… todo mundo não tem preconceito com o cara?

Trip: Mas ainda é machismo, não?
Anitta: É verdade. Pensando bem, a sensualidade é sempre punida. Com homens ou mulheres. Se você é muito vaidoso, vão dizer que sua musica é ruim. Isso acontece comigo.

Trip: Recentemente acusaram você de apropriação cultural por causa de umas tranças que fez em salvador. Aquele era um momento em que todo mundo falava sobre esse tema. Você pensou sobre isso?
Anitta: Pensei. Mas acredito que as pessoas são livres para fazerem tranças em seus cabelos. Eu resolvi fazer no meu. Se causei algum tipo de situação que possa ter ferido alguém, essa nunca foi minha intenção. Eu gosto de tranças.

Trip: Qual é a sua ascendência?
Anitta: Tenho avós maternos nordestinos e paternos negros.

Trip: Você geralmente fala o que pensa, se coloca. Alguém já te aconselhou a ser mais comedida?
Anitta: Já, sim. E com alguma razão. Se a gente é verdadeira, jogam pedra. Mas, sabe, as pessoas tem medo de se impor, medo de falar, medo de se mostrarem como são. Justamente porque, se fizerem, vão tomar muita pedrada. Elas preferem evitar essa fadiga. Eu não. Eu falo, me coloco. E sou incansável. Prefiro dar minha opinião e ser o que quero ser, me sentir confortável na minha pele.

Trip: Alguma critica, noticia ou meme já mexeu de verdade contigo? Botou você pra baixo ou te emputeceu?
Anitta: Já. Mas não gosto de falar. Não gosto porque quando falo parece que a coisa volta. E pra mim é difícil limpar uma coisa que me deixou brava e triste.

Trip: Foram criticas?
Anitta: Não. Foram vezes que inventaram coisas, me botaram em polemica.

Trip: As vezes que inventam namorado?
Anitta: É tipo isso.

Trip: Você não teve muitos relacionamentos públicos. Namora pouco ou assume pouco?
Anitta: Não tenho problema de assumir. Se alguém pergunta se fiquei ou estou ficando, não sei mentir. No fim, não tive um namoro sério desde que fiquei famosa de verdade.

Trip: Cobram de você esse namorado?
Anitta: Opa! As pessoas têm esse pensamento de que, pra mulher ser feliz, precisa ter um homem do lado. Pelo amor de Deus, né?! Pra eu ser feliz, bastam meus amigos, uma penca de gays que amo.

Trip: Em uma época disseram que você estava namorando uma amiga, por causa de uma selfie postada por ela, ou por você, no Instagram. Vocês se pegavam?
Anitta: Quem!? Ah, já sei: a Juliana. É uma amiga minha lésbica. Não, a gente nunca teve nada.

Trip: Mas você já se relacionou com mulheres?
Anitta: Ainda não.

Trip: Poderia se relacionar?
Anitta: Sim, tranquilamente.

Trip: O tema desta edição da Trip é privilegio. Qual foi o maior que você teve na vida?
Anitta: Minha mãe. O apoio que ela me deu, o fato de ter parado a vida para nos criar, eu e meu irmão. Se não fosse o apoio da minha família, a minha vontade – que é enorme, eu sei – não teria vingado e eu não sei se estaria aqui.

Trip: E seu pai? Onde estava?
Anitta: Ele se separou da minha mãe quando eu tinha 1 ano. Mas, mesmo longe, ele ajudava.

Trip: Era um pai presente?
Anitta: Da maneira dele, sim. Olha, hoje entendo por que meu pai não era tão presente. Hoje que trabalho muito, entendo completamente.

Trip: E hoje vocês são próximos?
Anitta: Somos inclusive muito amigos.

Trip: Quantas horas você dorme por dia?
Anitta: Depende, tem dia que consigo dormir quatro, três horas, tem dia que oito. Mas sou eu que escolho.

Trip: E férias?
Anitta: Prefiro ter um intensivão de trabalho e férias mais folgadas. Quando paro pra descansar, tento realmente descansar.

Trip: O que você faz nas suas folgas, por exemplo?
Anitta: Amo ir ao cinema.

Trip: Pra onde foi sua ultima viagem de férias?
Anitta: Lós Angeles. Mas nessa roubei no jogo, acabei indo pra La porque tinha reuniões da carreira internacional. Eram férias, mas usei pra trabalhar. Antes de lós Angeles, fui pra Los Cabos, no México. Foi incrível.

Trip: Com o que você sonha – literalmente?
Anitta: Ultimamente com comida. Também sonho bastante com trabalho.

Trip: Vivemos um momento particular do pais. Como você se envolve nele? Como é a sua relação com a política?
Anitta: Influencio muita gente, especialmente os jovens, que procuram opinião pra poder formar a sua, por isso evito falar do que não entendo. Acho que vivemos um momento jamais visto antes. E é difícil dar uma opinião quando não tem o veredito de fato. Eu não consigo opinar sobre certo ou errado porque todo dia o cenário muda.

Trip: A crise financeira afetou sua carreira?
Anitta: Afetou, sim. E artista que disse que não afeta, ta mentindo. O país ta vivendo um momento no qual as pessoas precisam fazer escolhas mais criteriosas. Não estão esbanjando.

Trip: Mas você continua fazendo uma media de 20 shows ao mês.
Anitta: Continuo. Mas, se o país não estivesse em crise, os shows poderiam, por exemplo, ser mais luxuosos e custar mais. Entende? Os meus cachês seriam outros também. A equipe poderia ser outra e os shows poderiam chegar a outros lugares.

Trip: A partir de quanto custa um show seu hoje?
Anitta: Essa é uma informação que a gente não dá. E não dá porque os valores mudam. Posso divulgar isso agora e amanha o valor ser outro.

Trip: O que dá mais dinheiro? Show, venda de CD, contrato com marca?
Anitta: Geral. Eu faço uma balança onde tudo tem mais ou menos o mesmo peso. Primeiro porque não quero virar um outdoor ambulante, ostentando marcas e perdendo minha identidade, e depois porque não quero cansar o publico fazendo show todo dia.

Trip: Quanto do dinheiro fica para você e quanto é investido de volta na carreira?
Anitta: Fico com 10% do meu bruto. O resto boto de volta na carreira. Uma vez meu irmão veio com umas contas e disse: “Voce vai ficar chocada, nosso bruto é muito maior do que o dinheiro que fica contigo”. Respondi: “Não fico chocada. Minha carreira tá do jeito que eu sempre quis”.

Trip: Quando foi a coisa mais especial que o seu dinheiro comprou até agora?
Anitta: Meu clipe “Essa Mina É Louca”. Dirigido pelo Giovanni.

Trip: Quanto custou?
Anitta: Não abrimos esses valores.

Trip: Você guarda dinheiro?
Anitta: Guardo. Comigo quase não gasto, acredite.

Trip: Drogas ilícitas: usa alguma?
Anitta: Não.

Trip: Nunca usou?
Anitta: Já usei, mas foi sem querer. Meu assessor me mata se eu contar. Mas foi isto: não tinha gosto, foi oferecida na água. Não tinha ideia que era droga. Foi fora do país isso.

Trip: Mas não sentiu uma vibe maneira?
Anitta: Não, passei mal. Sou totalmente contra drogas. Mas completamente a favor de as pessoas fazerem o que quiserem da vida delas. Só não curto levantar bandeiras.

Trip: E lícitas? Bebida, cigarro?
Anitta: Bebo muito raramente.

Trip: Sobre política de drogas, você é favor da descriminalização, de uma regulamentação.
Anitta: Sou a favor da informação, estudo, educação. Não acredito em livrearbitrio sem conhecimento.

Trip: Você tem vontade de ser mãe?
Anitta: Tenho vontade de ter filhos e de adotar também. Quero muitas crianças. Mas só farei isso quando tiver tempo pra ser mãe por completo.

Trip: Pararia a carreira?
Anitta: Certamente. Porque quero me dedicar de fato. Fez muita diferença a minha mãe ter parado a vida dela pra mim. É uma doação, um sacrifício. Desde que nasci minha mãe não trabalha.

Trip: E de onde vinha o dinheiro da família?
Anitta: Do meu pai, ele trabalhou muito pra manter a gente.

Trip: Você quer casar?
Anitta: Gostaria, sim, mas não é uma obrigação. Se não encontrar a pessoa certa, não vou casar só pra dizer que casei. Seria uma mãe solo tranquilamente.

Trip: Qual é o seu maior medo?
Anitta: Perder a lucidez. Nossa mente é nosso maior bem.

Trip: Hipoteticamente: e se a fama toda acaba amanhã?
Anitta: Vou procurar fazer outra coisa que me deixe feliz. Estudar, por exemplo, me deixa muito feliz. A vida não acaba. Já tive uma sem ser famosa.

Trip: Qual é seu objetivo na carreira internacional? Um Grammy, viver nos Estados Unidos?
Anitta: Não. Quero mostrar pro brasileiro que ele tem que dar valor ao que é daqui. Brasileiro vangloria muito o que é estrangeiro e empobrece o que é nosso. Falta patriotismo e união.


Em sua casa, Anitta conversou com o Trip TV sobre o gosto pelo trabalho, pela fama, pelas cirurgias plásticas e por estudar: “o conhecimento é uma libertação”.


Fonte: Trip
Agradecimento especial: Juliana, @darlinganitta 

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