Central Anitta » Relattório: O choro é livre… Nossa arte também
03
ago
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Há pouco mais de três semanas, fomos surpreendidos, mas não tão surpreendidos assim, com o anúncio que nos mantém em êxtase até o momento: por ideia de Caetano Veloso, na companhia dele e de Gilberto Gil, Anitta será umas das atrações da abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Parte de nós já esperava algo grandioso assim embora seja sempre uma surpresa quando percebemos que não estamos errados em afirmar que nossa cantora é a fenomenal artista que é e a vemos colher os mais maduros frutos de seu trabalho.

Caetano e Gilberto são, sem dúvida alguma, dois dos maiores ícones do nosso país, a história dos dois que o diga. A dupla começou a deixar sua marca na cultura brasileira já no final da década de 60, com o início da Tropicália, movimento artístico do qual os dois foram os príncipes e que teve como principal característica ir contra a maneira tradicional e retrógrada de se fazer arte em uma época ultraconservadora.

Apesar de ter deixado sua marca eminente na história do país, o tropicalismo durou pouco mais de um ano, pois o regime militar da época foi rápido em deter uma manifestação cultural que pregava tudo contrário aos interesses dos líderes fardados que exerciam soberania naquele período. Por serem os principais nomes do movimento considerado subversivo ao regime, os intérpretes de ‘Três Caravelas’, foram quem mais sentiram na pele o pavor da repressão: em um período de quatro anos foram presos, abusivamente interrogados e exilados.

Maria Bethânia – irmã de Caetano -, Geraldo Vandré, Chico Buarque e Rita Lee foram outros artistas, além de Gil e Caetano, que pagaram um alto preço pela liberdade a qual lhes foi retirada, resgatada após fortes atos reivindicativos e garantida para as gerações vindouras. Tais gerações chegaram e cada vez mais sedentas pela liberdade a qual sempre lhes pertenceram. A geração coca-cola burguesa e sem religião da Legião Urbana; Cássia Eller e sua geração poeta que não aprendeu a amar; em seguida, a geração imortal que não morre no final […] assim como a graciosidade dos irmãos Sandy & Júnior; e atualmente, o show das poderosas: Anitta, Pitty, Karol Conká, Ludmilla, Clarice Falcão, muitas mulheres empoderadas como querem, reafirmando onde devemos estar quando nos subestimam (onde nós quisermos, claro).
É, tais gerações chegaram.

Está tudo muito bom, está tudo muito bem. Vivemos em tempos de glória, de total tolerância entre as diferenças e o tão reivindicado sentimento de liberdade passado para nós nos completa. Pelo menos esperávamos ser assim. O sentimento de liberdade completa a todos nós, de fato… Inclusive aos que intrinsecamente desejam o fim do mesmo, livres expressam-se. Seja de uma forma explícita ao levantar em protesto um cartaz de enorme letreiro exigindo uma intervenção coercitivamente institucionalizada ou por uma forma mais discreta e disfarçada (disfarçada, geralmente, de opinião), por exemplo, repudiando as formas com as quais artistas ‘x’ ou ‘y’  fazem sua arte e até mesmo menosprezando o reconhecimento obtido por eles, como se a arte proposta fosse contra a um conceito de arte pré-estabelecido e inerente a todos que queiram executá-la. Tolice.

A arte é relativa, abstrata e abrangente. Total ignorância é resumir a arte a ditames estritos e direcioná-los como um único caminho a ser seguido por quem almeja experimentá-la. E há quem queira desfrutar dessa total ignorância: muitas pessoas descontentes com a participação de cantores populares da massa na cerimônia de abertura da Rio 2016, pois, segundo elas, os artistas não condizem com o que o país é e gerariam constrangimento internacional… Como se o mundo pensasse como eles e como se estivesse disposto a obedecer a limites impostos. Se apropriar de algo inerente há uma infinidade de agentes e defini-los de acordo com interesses próprios é a herança que os antigos ditadores da nossa história deixam para essa classe insensível e equivocada que está disposta a viver tal legado.

Há quinhentos e dezesseis anos, por um erro de trajeto, os portugueses chegaram a essa terra de dimensões continentais, hoje chamada Brasil. Aqui encontraram os índios nativos de cá. Alguns acordos e invasões depois, tivemos a presença dos companheiros espanhóis, franceses e holandeses, em uma quase simultaneidade com o povo que, de uma forma horrendamente injusta, deu base ao crescimento do país: os africanos. A forte cultura indígena entrou em choque com a forte cultura europeia e ao resultado de tal fusão foi acrescido o que o povo da África trouxe consigo para cá. Um lugar tão grande, com tantos povos e tantas culturas deliberadas, certamente, resultou, no mínimo, na mais pura definição de diversidade.

As mais variadas vertentes da cultura brasileira resistiram às barbáries dos colonos invasores e à repressão dos ultrapassados intervencionistas; não será um grupo pequeno, desinformado e iludidamente elitizado da atualidade que as ameaçará. Existe a arte e dentre as mais variadas formas de arte, existe a música, esta que carrega em si suas mais variadas formas. Nós somos o rock, somos a MPB, somos o axé, o samba, o pop, o funk… Somos música. Somos arte. Somos cultura. Somos muitas culturas e todas por uma só, em jogos olímpicos ou em jogos da vida. Somos imbatíveis.

Terá Anitta em parceria com Caetano Veloso e Gilberto Gil na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, sim! E abrindo o show para Elza Soares e sua luta pela dignidade da mulher; para Diogo Nogueira e Zeca Pagodinho com o melhor da gafieira; para Ludmilla, Conká, D2 e Soffia representarem o “poder dos pretos”(!); vai ter muita MÚSICA, muita representatividade, muito Rio de Janeiro e muito BRASIL na abertura desses jogos.

Pois eu não volto pra cozinha, nem o negro pra senzala, nem o gay pro armário. O choro é livre e nós também.” Bradou Pitty, certa vez, ao tentarem calá-la. (!!!) A mulher, o negro, o gay, o índio, sejam da Europa ou da Ásia, da América Nortenha ou Sulina: aqui terá lugar para todos. Somos todos livres. Até as lágrimas: as de tristeza por quem insiste em lamentar-se e, sobretudo as de emoção por quem decide viver o momento e desfrutar de tal liberdade.
O choro é livre. Nossa arte também.

 

Central Anitta Postagem por: Central Anitta
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