Central Anitta » Veja: Anitta mira – e acerta – em pop alegre e vibrante em novo CD
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A versão digital da Revista Veja publicou uma crítica de ‘Bang‘, último lançamento da Anitta. De forma profissional e ética, Luís Lima, redator do site, destacou e avaliou os melhores momentos do álbum, assim como essa nova fase da cantora.

Anitta parece estar determinada a abandonar o título de MC, dado a cantores do funk, gênero que a projetou. Ao menos, é o que evidencia Bang, terceiro álbum de estúdio da carioca, lançado nesta semana. A principal aposta do novo trabalho é em um pop leve e “colorido”, à la Katy Perry, mas que também flerta com o samba, o R&B e o reggae. O álbum é sonoramente mais ousado e experimental que os dois anteriores – Anitta (2013) e Ritmo Perfeito (2014). Mas os três guardam uma característica em comum: a maioria das letras aborda temas relacionados ao amor e ao empoderamento feminino – fórmula que serviu à cantora como trampolim para a fama, com o hit Show das Poderosas, há dois anos. Outra aposta forte do disco se dá nas parcerias: de catorze faixas inéditas, cinco são duetos, com artistas como Nego do Borel, Vitin e Cone Crew, desconhecidos pelo grande público. E também no trabalho como compositora: Anitta assina 12 das 15 faixas do álbum.
A primeira é a canção-título do CD, Bang, principal candidata a hit nas pistas de dança. De batida envolvente, que remete ao pop dos anos 1990, a faixa trata da mulher poderosa, que provoca, domina e dá a volta por cima. “E, para te dominar, virar tua cabeça, eu vou continuar te provocando. E, para escandalizar, dar a voltar por cima, não vou parar até te ver pirando“, diz o refrão. Entre as referências, o título lembra a canção Bang Bang, do trio americano Jessie J, Ariana Grande e Nicki Minaj, e alguns efeitos sonoros remetem a Worth It, do grupo Fifth Harmony. O clipe da canção, que tem um pé na pop art e outro no universo dos quadrinhos, bateu o recorde da cantora e já tem mais de 5 milhões de visualizações no YouTube, onde aportou há menos de uma semana. O vídeo e a direção de arte do CD ficaram a cargo do designer ítalo-brasileiro Giovanni Bianco, conhecido por seus trabalhos com a cantora Madonna.
As próximas duas faixas – Deixa Ele Sofrer e Cravo e Canela – se mostram igualmente escolhas acertadas. A primeira, que também tem videoclipe, se destaca pela batida chiclete e dançante na versão original. Na versão acústica, como aparece repaginada na última faixa do álbum, a música ganha uma sonoridade mais leve e orgânica, ao dispensar efeitos sonoros. Neste caso, o ponto fraco é a letra, que expõe ao desgaste a ideia da mulher dominadora, que deixa o homem chorar e sofrer, enquanto ela “curte para valer“. Já em Cravo e Canela, o ponto forte é justamente a letra, bastante imagética, com menções que vão dos arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, à sobremesa feita de Nutella. A música conta com a participação de Vitin, do grupo Onze:20, e lembra Cobertor, do segundo álbum. A assinatura da cantora também é vista de forma clara em Eu Sou do Tipo, funk melody parecido com as músicas de seu primeiro CD. Na mesma linha de Sou Dessas, de Valesca Popozuda, a canção enumera uma série de tipos de mulheres, sobretudo as que “adoram o perigo“. Já Deixa a Onda te Levar é parecida com Zen, do primeiro CD, com uma letra que convida a “curtir a vida” e a “largar tudo e viver“.
No embalo da cuíca e do pandeiro, outro destaque positivo do álbum é Essa Mina É Louca, samba-reggae gravado em parceria com Jhama, do Trio Ternura. Na música, Anitta encarna o melhor de seu lado mineiro. “Quem te ensina certim. Faço tudim, bem devagarim. Pede gostosim, vem cá meu pretim“, diz a letra. A brincadeira também é vista em Sim, que na letra rima com “morenim” e “gostosim“: para ele, Anitta diz “sim”. Com uma pegada R&B, a música é, possivelmente, a mais apimentada do álbum. A participação do grupo de rap Cone Crew rendeu versos como “faz o quadradinho, só que na minha cara” e “hoje eu quero você pelada, soque na minha casa“. Outra parceria bem sucedida foi feita com o MC Nego do Borel, em Pode Chegar. Sua participação garantiu as poucas batidas clássicas de funk do álbum, como o famoso “tchu tcha tcha“. Os efeitos praticamente somem quando a ex-MC e hoje diva pop Anitta entra em cena. Para reforçar essa marca, a cantora lançou mão do rap e de batidas do dubstep – gênero da música eletrônica com forte influência do hip hop – em Gosto Assim, que conta com a participação do cantor paulista Dubeat.
Entre os principais pontos fracos do CD, está a opção por pesar a mão nos sintetizadores, que deixam a voz da cantora parecida com a de um robô: artificial e irritante. Estes traços são vistos principalmente na quarta faixa, Parei, e também na penúltima, Me Leva a Sério. Na primeira música, mais dançante, a cantora reclama do ritmo acelerado da vida de noitadas. Na segunda, mais introspectiva, a demanda é pela atenção de um “parceiro de verdade“, e não de um “caso a mais“. A principal falha, no entanto, é sem dúvida a abordagem monotemática, que enaltece, à exaustão, um tipo de mulher poderosa e um ideal de amor de conto de fadas. Os temas se repetem em Atenção, Show Completo e Volta Amor – esta última com uma introdução sonora tão lúdica quanto a de um comercial de margarina.
O saldo final, contudo, é positivo e o mérito é todo dela, já que a cantora-empresária assumiu todo o controle da carreira. Ao flertar com diversos ritmos em Bang, ela cumpre com seu objetivo de fazer uma música mais plural e de alcance a diferentes públicos. O resultado é um CD mais eclético e “internacionalizado”, perto de produções de divas mundiais, e que projeta Anitta no alvo principal da cena pop brasileira.

Central Anitta Postagem por: Central Anitta
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